Coluna Jorge Barros: Rio das Contas - Um belo panorama visto da ponte

Rio das Contas, belo em seu estado original e puro; sereno, em um dia cheio de harmonia e ar sem contaminação; produtivo, em uma época em que o homem e a natureza caminhavam juntos na defesa da vida e produção de alimentos; limpo, vivo, cristalino, em um tempo em que predadores assassinos, destruidores do meio ambiente e políticos corruptos e descomprometidos com as questões ambientais ainda não existiam. Mas, todas essas épocas passaram. Hoje, em vez de um belo panorama visto da ponte, um feio, dantesco, desolador e macabro panorama visto dessa mesma ponte; a também maltratada e abandonada Ponte do Mandacaru. Até quando ficaremos calados diante de tantos descasos patrocinados pelo poder público e político? Até quando ficaremos omissos diante de tantos crimes contra o Rio das Contas e outras forças da natureza que agem em defesa da vida em terras jequieenses? Até quando? Até quando? Até quando? A história tem mostrado que o homem paga um preço caríssimo por sua agressão desmedida contra o equilíbrio do ecossistema. Chuvas e tempestades têm ceifado vidas e deixado marcas de sofrimentos espirituais e físicos em muitos seres humanos; desabamentos de terras têm sepultado ilusões, esperanças e sonhos; enchentes, nos momentos de fúria, vingança, revolta e revide, têm levado crianças, jovens e adultos para o outro lado da vida, para outra dimensão. Jequié, 122 anos de história, mas, no tocante a uma política de consciência ecológica e de preservação do meio ambiente, e, em particular dos seus rios, sem boas histórias para contar. E porque não afirmar sem nenhuma boa história para contar? Reflita, reflitam, enquanto há tempo. A vingança da natureza pode estar mais próxima do que imaginamos.
Professor Jorge Barros.