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G9 representado pelo vereador Soldado Gilvan divulga panorama da Saúde Pública em Jequié

19/3 G9 representado pelo vereador Soldado Gilvan divulga panorama da Saúde Pública em Jequié

A saúde de Jequié foi municipalizada em 1997. Esse processo de municipalização ampliou as responsabilidades e compromissos dos gestores locais, quanto à gestão dos serviços básicos de saúde e a necessidade de expansão física e funcional da rede de atendimento.

Passaram-se quase 20 anos da Municipalização, e, de fato, alguns avanços foram vistos no início do processo. Contudo, nos últimos anos, mais precisamente nessa gestão, nota-se claramente, uma estagnação no campo da saúde, ou até mesmo um retrocesso, com perda de recursos e fechamento de Unidades de atendimento ao usuário do SUS. Há muitas ações e serviços que poderiam e deveriam estar sendo ofertados em Jequié e ainda não são, ou deixaram de ser.

Listamos abaixo, dentro de cada área específica, o que Jequié poderia ter e NÃO TEM:

NA ÁREA DE SAÚDE DA FAMÍLIA:

 Jequié poderia ter:

- Maior cobertura. A cobertura atual não chega a 55% da população. Os conjuntos habitacionais são totalmente desassistidos, quanto aos serviços básicos. Milhares de cidadãos não dispõem de acesso à vacinação, pré-natal, acompanhamento das crianças e dos hipertensos e diabéticos. Vão aos Centros de saúde, mas enfrentam longas filas, agendamentos intermináveis, quando conseguem chegar até o serviço.

- NASF (Núcleo de Apoio ao Saúde da Família). Cidades menores como Maracás e Jaguaquara têm NASF e Jequié nem começou a implantar.

NA ÁREA DE SAÚDE DO ADULTO:

 Jequié poderia ter:

- Central de imagens e apoio diagnóstico. Os usuários vão à consulta médica, mas não conseguem retornar com os exames, pois não realizam raio X, ECG, USG, Tomografia, ressonância e outros. Quando conseguem é muito tempo depois já com seus problemas de saúde agravados;

- Central de Especialidades Médicas. O Jequieense tem séria dificuldade para conseguir uma consulta com especialista (ortopedista, cardiologista, Pneumologista, cirurgião geral, neuropediatra, dermatologista...). Algumas dessas não serão feitas, porque pelo SUS não faz e o paciente não tem como pagar;

- Melhor oferta do serviço de controle das DST. O Centro de referência no Mandacaru sofreu uma reforma que nunca foi concluída. A equipe de sete profissionais atende aglomerado em um anexo do Centro Sebastião Azevedo, sem a menor estrutura. Falta medicação, falta apoio diagnóstico, falta Infectologista;

- Maior visibilidade e fortalecimento do CEREST (saúde do trabalhador). O CEREST é sucateado. Nenhuma ação é divulgada. Nenhum investimento é feito, para expansão do cuidado à saúde do trabalhador. Os ambientes de trabalhos não são avaliados. Nenhum trabalho de prevenção e controle dos agravos relacionados ao trabalhador é feito;

- Serviço de Reabilitação estruturado (NUPREJ). O Núcleo de Prevenção e Reabilitação não avançou com o tempo. Não oferece órteses, próteses, a equipe está incompleta. Poderia ser credenciado como CER II, III ou quatro (esse último com apoio ao deficiente auditivo, físico, intelectual e visual), mas Jequié não tem conseguido nem atender ao deficiente físico;

- Maior oferta de leitos hospitalares. O Jequieense “pena” sem conseguir internamento. A demanda vai toda para o HGPV, que está sobrecarregado. A regulação é inoperante. Faltam leitos de UTI, clínica médica, cirúrgica, obstetrícia...;

- Oferta de cirurgias eletivas. O Jequieense não consegue realizar cirurgia eletiva, especialmente, problema com cálculos na vesícula, cálculos renais, ligadura, histerectomia, vasectomia...;

NA ÁREA DE SAÚDE BUCAL:

 Jequié poderia ter:

- CEO tipo II (Centro de Especialidades Odontológicas – com 4 a 6 consultórios odontológicos). Já fomos tipo II, hoje o CEO funciona precariamente como tipo I (03 consultórios) sem equipamentos e insumos;

- Serviço de saúde bucal na zona rural. A zona rural está 100% desassistida quanto à Saúde Bucal.

NA ÁREA DE SAÚDE DA MULHER:

 Jequié poderia ter:

- O hospital da Mulher ou um Centro de Referência para a Mulher. Em Jequié não tem como atender uma mulher com alteração inicial do preventivo (NIC II, III); a rede cegonha funciona de modo precário, com resultados de exames do pré-natal atrasados. Por vezes, a gestante vai ganhar o bebê sem ter recebido seus resultados. O número de casos de sífilis congênita aumentou, por falha, muitas vezes, no pré-natal.

NA ÁREA DE SAÚDE MENTAL:

 Jequié poderia ter:

- Descentralização dos medicamentos controlados: os medicamentos são fornecidos apenas no campo do América (quando tem), dificultando o acesso da população;

- Residências terapêuticas. As “moradias” foram regulamentadas desde 2000 para egressos de pessoas com transtorno mental que saíram de internações e perderam vínculos sociais e familiares. Municípios vizinhos como Vitória da Conquista já dispõe há muito tempo desse espaço na saúde mental, enquanto Jequié nem sequer pensou a respeito;

- CAPS IA (Infância e adolescência), CAPS III e CAPS ADIII. Os CAPS funcionam de forma precária, com falta de profissionais, recursos e insumos. A demanda de usuário de drogas é crescente e não se vê um trabalho efetivo na cidade. O acesso da população é obscuro e difícil. As crianças são desassistidas. Não há apoio psicológico, nem social.

NA ÁREA DE VIGILÂNCIA À SAÚDE:

 Jequié poderia ter:

- Um maior número de agentes de endemias. O número de agentes é insuficiente e os que estão atuando enfrentam a falta de recursos, no combate à endemias, como Dengue, Zyka e Chikungunya.

NA ÁREA DE URGÊNCIA E EMERGÊNCIA:

 Jequié poderia ter:

- Um pronto atendimento 24h. Jequié já teve um serviço de pronto atendimento, mas encontra-se fechado desde 2013. Há uma carência enorme desse serviço;

- Melhor tratamento ao Serviço Móvel de Urgência (SAMU). Veículos sucateados, sem manutenção, falta de material e de pessoal (técnicos de enfermagem...).

A população desconhece quanto direitos ela tem e não usufrui por problemas de gestão da Saúde. A falta de compromisso com a saúde pública leva a um descaso e a um aumento dos agravos à saúde, trazendo adoecimento, sofrimento e caos para a cidade.

Uma cidade com tantos acidentes de trânsito envolvendo motocicletas, não amparar as vítimas sequeladas???

Uma cidade endêmica para Dengue não dispõe de um trabalho efetivo em cada rua, nos bairros, periferia também???

Uma cidade com tantos idosos não dispõe de um trabalho que inclua essa população em planos terapêuticos para prevenção de complicações do Diabetes, da Hipertensão, da depressão, das demências, das quedas???

São vários problemas na saúde pública em Jequié. E, sobre qual deles temos tido êxito??? Falta gestão do SUS, equipe técnica comprometida, valorização do trabalhador, respeito ao recurso público e seriedade na execução das ações.

Fonte:G9.

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