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Marcelo Castro e demais réus do ‘Caso Pix’ ficam em silêncio após juiz negar manobras para adiar audiência

08/5 Marcelo Castro e demais réus do ‘Caso Pix’ ficam em silêncio após juiz negar manobras para adiar audiência

A fase de instrução do processo que apura o "Caso Pix" chegou ao fim nesta quinta-feira (7), no Fórum Criminal de Salvador, marcada pelo silêncio estratégico dos acusados de envolvimento no esquema criminoso. Nesta quarta-feira (6), testemunhas depuseram sobre o caso, incluindo o delegado Charles Leão, que falou sobre a ameaça a um das vítimas.

Após dois anos de uma investigação que abalou a imprensa baiana e com ampla repercussão nacional, o encerramento desta etapa processual foi selado com os jornalistas Marcelo Castro e Jamerson Oliveira, além dos demais réus, abrindo mão do direito de depor após sucessivas tentativas da defesa de adiar a sessão.

Eles entraram em silêncio no auditório do fórum criminal e saíram da mesma maneira. Marcelo Castro e Jamerson Oliveira ficaram cabisbaixo em boa parte da audiência, com sinais de tensão no semblante.

Manobras negadas

O dia que deveria marcar o interrogatório dos réus começou com tentativas de travar o andamento do processo. A defesa de Marcelo Castro alegou a ausência de uma testemunha considerada "indispensável" para a prova oral do processo.O cinegrafista chamado para depor teria perdido um ente querido e estava incomunicável. A defesa queria a suspensão da audiência com convocação de nova data para que esta testemunha pudesse falar.

Entretanto, o juiz Waldir Viana negou o pedido por entender que houve diversas tentativas de contato com a testemunha, inclusive, cogitou aplicar uma condução coercitiva para depor. Entretanto, a defesa dos acusado não indicaram o endereço da testemunha nos autos, o que inviabilizaria a condução coercitiva.

O magistrado destacou que a defesa não teve o cuidado de incluir o endereço do profissional nos autos, fornecendo apenas um número de telefone, o que impossibilita qualquer ação policial. O juiz Waldir Viana declarou a preclusão do pedido, reforçando a regra básica de que "o direito não socorre aos que dormem" e classificando a movimentação como uma tentativa infundada de caçar nulidades.

Procrastinação do processo

Os advogados dos réus ainda tentaram uma última cartada, alegando que os áudios das oitivas de vítimas e testemunhas estavam "inaudíveis" e que não tiveram tempo hábil para analisar os Relatórios de Inteligência Financeira (RIFs). Diante da decisão do juiz em seguir com o interrogatório dos réus, os acusados optaram pelo silêncio. João Daniel Jacobina, defensor de Marcelo Castro, afirmou que os réus "teriam o que dizer", mas que a orientação técnica foi não falar devido à suposta falta de acesso a documentos que o próprio delegado Charles Leão detalhou no dia anterior.

Rumo à sentença

Com o encerramento da audiência de instrução, o juiz Waldir Viana deu por concluída esta fase. Agora, abre-se o prazo para as partes solicitarem diligências complementares, seguido pelas alegações finais. Após esse período, o processo estará pronto para a sentença.

Como funcionava o golpe?

A investigação, reforçada por apurações internas da Record e detalhada nacionalmente, mostra que a engrenagem funcionava de forma organizada. Durante um ano e cinco meses, o grupo teria operado um esquema que explorava a solidariedade do telespectador. Ao todo, as campanhas arrecadaram cerca de R$ 543 mil. Desse montante, R$ 407 mil foram desviados, o que significa que 75% de tudo o que foi doado nunca chegou aos necessitados.

Fonte: BNews.

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