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Relações interpessoais tóxicas: como identificar e evitar

28/5 Relações interpessoais tóxicas: como identificar e evitar

Há nos dias atuais um tipo de pessoa que critica outras constantemente, drena a energia alheia, nunca pede desculpas, manipula situações, se faz de vítima, mente com frequência, faze os outros se sentirem culpados, compete em vez de celebrar, pressiona para que alguém faça algo, nunca apoia o sucesso de outras pessoas e ignora limites. Essas características são de pessoas tóxicas, muitas vezes presentes nas empresas, ou em relações mais íntimas, como as de dentro de casa.

Segundo Raquel de Alcântara Santos, professora da Afya Itabuna e psicóloga, essas características podem ser sintomas de psicopatologias de quem as pratica. E o pior: pode levar quem sofre esses tipos de abusos a também desenvolverem problemas mentais.

"Entre os principais sintomas psicológicos observados em pessoas que convivem por longos períodos com pessoas tóxicas estão ansiedade, insegurança, baixa autoestima, tristeza frequente, irritabilidade, sentimento de culpa e dificuldade em estabelecer limites saudáveis. Em alguns casos, a pessoa também pode apresentar alterações no sono, cansaço emocional constante e perda gradual da autoconfiança. Do ponto de vista psicológico, relações marcadas por críticas excessivas, manipulação ou instabilidade emocional tendem a provocar sofrimento psíquico contínuo, afetando diretamente a percepção que o indivíduo tem de si mesmo e das suas relações interpessoais", explica a professora do curso de Psicologia.

A crise de saúde mental no Brasil tem inúmeros alarmantes. No entanto, a convivência com pessoas tóxicas ainda é pouco debatida e suas consequências vêm contribuindo para o aumento dos casos.

Dados recentes apontam que, em 2024, o Brasil registrou 440 mil afastamentos do trabalho por transtornos mentais, como ansiedade e depressão. Embora não haja dados específicos sobre a convivência com pessoas tóxicas, a Agência Brasil/INSS mostra que esse número é mais que o dobro que o registrado dez anos antes. Na Bahia, o cenário é ainda mais preocupante: os afastamentos cresceram mais de 200% em uma década, refletindo o avanço do adoecimento psicológico (SmartLab/MPT) e colocando o estado entre as primeiras posições no ranking nacional.

Para a professora da Afya, maior ecossistema de educação médica do Brasil, que na Bahia também tem a Afya Salvador, Afya Vitória da Conquista e Afya Guanambi, as relações interpessoais desgastantes são um dos principais gatilhos desse adoecimento. "Um ambiente tóxico geralmente é caracterizado por comportamentos como manipulação emocional, desvalorização constante, controle excessivo, agressividade verbal, chantagem emocional e ausência de respeito aos limites do outro. Também é comum a presença de comunicação hostil, humilhações e atitudes que geram medo, culpa ou dependência emocional. Esses comportamentos impactam diretamente o bem-estar emocional porque criam um ambiente de tensão constante e desgaste psicológico. A pessoa passa, muitas vezes, a viver em estado de alerta, insegurança ou tentativa contínua de agradar o outro para evitar conflitos", explica.

Para evitar esse desgaste, o especialista recomenda que as pessoas estabeleçam limites claros, evitem exposições prolongadas a essas situações, fortaleça suas redes de apoio e, quando necessário, busque acompanhamento psicológico.

A professora Raquel de Alcântara Santos destaca ainda que, embora alguns casos de comportamentos tóxicos sejam associados a transtornos psicológicos ou traços de personalidade desadaptativos, deve-se evitar generalizações ou diagnósticos precipitados. Nesse contexto, ela lembra que, "muitas vezes, esses comportamentos podem estar ligados a padrões aprendidos, dificuldades emocionais e formas inadequadas de lidar com conflitos e frustrações".

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