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São João de Jequié diminuiu o seu poder gerador de receita e de identidade cultural

12/4 São João de Jequié diminuiu o seu poder gerador de receita e de identidade cultural

É fato que a comemoração alusiva a São João - que no Brasil tem sua origem rural na região Nordeste -, foi se modificando com o avanço da indústria, bem como a partir da migração das pessoas que moravam no campo para os grandes centros urbanos. A festa tradicional do calendário religioso, com características familiares, foi sofrendo as interferências políticas e econômicas que a transformou em grandes espetáculos de massa, fazendo parte da chamada cultura industrializada do consumo.

Uma vez transformado em evento de cunho turístico e político, os gestores públicos – notadamente aqueles com mais sensibilidade cultural –, tentam de alguma forma manter o contexto em seus elementos mais tradicionais, como percebemos em Jequié a partir da criação da Vila Junina. A Vila, criada em 2005, afastou o “vale-tudo” que compromete o simbolismo da festa.

Pois bem, nos últimos anos, alguns equívocos puderam ser observados na realização do São João promovido pela prefeitura de Jequié. Esquecem, por exemplo, que o município precisa se vestir para o São João já no mês de maio, para que assim possam transformar a cidade e o espírito das pessoas. Não é possível ornamentar a cidade faltando apenas cinco dias para o início da festa. Percebe-se, ainda, que o diálogo com as entidades de classe precisa ser iniciado no pré-projeto, e não depois do fechamento dele. Por se tratar de uma festa da cidade - e não apenas do poder público -, as entidades de classe assim como os organizadores das chamadas “festas alternativas” precisam ser convidados a dialogar com o Executivo e assim viabilizarem as parcerias.

Desse modo, dada à ausência de diretrizes e entendimento prévio - o que aqui vamos chamar de planejamento estratégico – o governo Tânia Britto rasga dinheiro público, uma vez que a festa resta gravemente prejudicada em todo o seu potencial econômico, tornando-se, portanto, mera despesa pública.

Lembro-me que os jequieenses que migraram - movidos pelo desejo de rever os parentes e curtir a festa junina na terra natal -, compravam seus presentes e negociavam suas férias para serem gozadas no mês de Junho. Nos últimos anos, o São João de Jequié diminuiu significativamente o seu poder gerador de receita e de identidade cultural para o município, e não adianta culpar a crise financeira e política pela qual atravessa o País.

Por fim, apesar das modificações na face da festa de São João, bem como de todo descaso por parte do Executivo local, a festa segue ultrapassando todos os conceitos de transformação por conta do seu forte simbolismo. Lamentamos que o governo Tânia Britto não dimensione o que ela significa para o nosso povo. (Alysson Andrade)

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