Tribunal condena homem a mais de 29 anos de prisão por tentativa de feminicídio
13/11

Pouco mais de um ano após tentar tirar a vida da ex-companheira, a golpes de faca, o trabalhador rural Adailton Bonfim dos Santos Souza foi sentenciado pela Justiça a 29 anos, sete meses e 17 dias de prisão por tentativa de feminicídio qualificado por motivo fútil e não possibilitar defesa da vítima, cometido contra Jucileide Dantas da Silva no dia 29 de outubro de 2024 no município de Itajuípe, sul da Bahia.
O julgamento popular ocorreu, dia 11, quando o Tribunal do Júri acatou denúncia do Ministério Público da Bahia, sustentada pelo promotor de Justiça Marco Aurélio Rubick. A pena será cumprida inicialmente em regime fechado. A denúncia do MPBA foi oferecida no dia 24 de novembro do ano passado. O processo que resultou na condenação tramitou em apenas um ano. Adailton já havia sido condenado em São Paulo, em setembro último, a 16 anos de prisão por crime de estupro contra outra filha da vítima, cometido em 2013, quando a criança tinha dez anos de idade. Chegou a ser preso preventivamente e, depois de ganhar liberdade, fugiu para a Bahia, onde tentou assassinar Jucileide por não aceitar o término do relacionamento. Segundo a acusação do MPBA, o crime ocorreu em contexto de violência doméstica e de gênero, após a vítima decidir encerrar um relacionamento marcado por mais de uma década de agressões físicas e psicológicas. Durante o julgamento, o promotor de Justiça Marco Aurélio destacou a brutalidade do crime e o histórico de violência sofrido por Jucileide. “É o retrato mais perverso daquilo que o machismo e a violência doméstica contra a mulher são capazes de produzir. É a história de uma mulher que, depois de mais de 11 anos de agressões, inclusive sexuais, humilhações e medo, decidiu dar um basta, por bem dela e dos seus filhos. E por isso, quase foi cruelmente morta”, afirmou o promotor durante a sustentação. As provas apontaram que Adailton, embriagado, tentou realizar graves agressões contra Jucileide já no dia 27 de outubro de 2024. Ela conseguiu fugir com a filha para a residência de uma vizinha. No entanto, dois dias depois, foi surpreendida e atacada com golpes de faca e punhal pelo condenado, quando realizava a mudança de casa para se afastar do agressor. Os ataques foram realizados diante da filha dela, que tentou impedir o crime. Jucileide sobreviveu após ser submetida a cirurgias de emergência e passar por três paradas cardíacas. Na sentença, o juiz Frederico Augusto de Oliveira considerou que o réu agiu “movido por sentimento de posse e inconformismo com a legítima decisão da vítima de encerrar o relacionamento”, demonstrando “menosprezo pela dignidade feminina e desrespeito aos direitos fundamentais da mulher”.Deixe um comentário:
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