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Áudios apontam que chefe de técnicos mortos em Salvador assistiu tortura de funcionários e negou pagamento ao CV

18/12 Áudios apontam que chefe de técnicos mortos em Salvador assistiu tortura de funcionários e negou pagamento ao CV

A morte dos três técnicos de internet, no bairro do Alto do Cabrito, no Subúrbio de Salvador, na noite desta terça-feira (16), assustou a população e gerou manifestações de colegas e familiares. Os funcionários da empresa Planet, que fica na Avenida Aliomar Baleeiro, teriam sido executados por integrantes do Comando Vermelho após suposta falta de pagamento por parte da empresa referente a uma espécie de taxa cobrada pelo grupo criminoso.

As vítimas foram identificadas como Antônio da Silva Souza, 44 anos, Jackson Santos Macedo, 41, e Patrick Vinícius dos Santos Horta, 28. Eles chegaram a gravar um vídeo juntos horas antes do ocorrido quando inciaram o turno do trabalho e as imagens viralizaram nas redes sociais após o crime.

A Polícia Militar disse ter sido acionada pelo Centro Integrado de Comunicações (Cicom) da Secretaria da Segurança Pública (SSP), para atender uma ocorrência na localidade. Entretanto, quando guarnições da 14ª CIPM chegaram ao local, já encontraram os técnicos, que usavam fardamento, sem vida. Procurada pela reportagem, a SSP disse que a pasta "se solidariza com os familiares e amigos das três vítimas covardemente assassinadas na região do Alto do Cabrito, em Salvador, e ressalta que as Polícias Militar e Civil realizaram na noite de terça e na madrugada desta quarta-feira (17), ações para identificar e localizar os criminosos responsáveis".

Áudios indicam torturas durante ligação com dono da empresa

Os três técnicos foram encontrados amarrados e com sinais de tortura, prática que teria sido assistida por um representante da empresa em que trabalhavam. Áudios que circulam na web, principalmente em grupos de WhatsApp, apontam que os criminosos teriam entrado em contato com o chefe responsável pelos trabalhadores para exigir o "pedágio", mas que o pagamento foi negado mesmo diante das cenas de brutalidade.

"Fizeram chamada de vídeo para ele mostrando lá o que estava acontecendo, mostrando tudo, pedindo um valor para ele para poder liberar e ele não pagou. Disse que não ia não ia baixar a cabeça para facção", descreve um dos áudios que a reportagem do BNews teve acesso.

Outras mensagens, que tiveram a voz distorcida pelo BNews para preservar o autor dos aúdios, ainda indicam que as vítimas teriam sido torturadas durante a chamada de vídeo enquanto era exigido um valor de R$ 8 mil pela liberação dos técnicos.

"Estava mostrando, mostrando a ele na chamada de vídeo, torturando os caras, arrancando unha, arrancando língua, torturando legal, e mesmo assim, ele não quis pagar, não quis. E o pior que não foi não uma quantia alta, foi 8 mil reais velho, 8 mil reais por três funcionários deles que estavam sofrendo lá, sendo torturados, o cara vendo chamada de vídeo e mesmo assim não quis pagar. O mundo está perdido", finaliza.

Na manhã desta quarta-feira (17), a reportagem do BNews procurou a Planet Internet para possíveis esclarecimentos sobre áudios que circulam nas redes sociais a respeito da morte dos trabalhadores, mas ainda não recebeu nenhum retorno sobre o questionamento em específico.

Vídeo mostra técnicos de internet horas antes de serem mortos por integrantes do Comando Vermelho no Alto do Cabrito; assista

Em nota enviada diretamente à reportagem, a Planet Internet informou apenas que presta apoio aos familiares das vítimas. "Estamos priorizando o apoio aos familiares no momento. É tudo muito triste para todos os funcionários que conviviam diariamente com os 3 colaboradores. Esperamos que entendam. Foi emitido uma nota nas nossas redes sociais e outras informações também passaremos por lá. Mais uma vez, pedimos a compreensão neste momento".

Nas redes sociais, a empresa lamentou o ocorrido. "Com profundo pesar, nos solidarizamos com familiares, amigos e colegas neste momento de dor. Que o carinho, a força e as boas lembranças tragam conforto a todos. Seguiremos honrando cada história, cada contribuição e cada memória deixada", diz a legenda da publicação da nota de pesar.

Posteriormente, horas após repercussão dos áudios na imprensa e nas redes sociais, a empresa emitiu uma nova nota de esclarecimento e negou que tenha tido contato com os suspeitos.

"A Planet Internet encontra-se consternada com o ocorrido e vem prestando todo o apoio necessário às famílias dos funcionários. Destaca, ainda, que em momento algum, a empresa foi contactada, por quem quer que seja, muito menos, recebeu qualquer pedido de resgate ou de pagamento para acesso de suas equipes à localidade em questão. A Planet Internet acrescenta que segue colaborando com as investigações junto às autoridades competentes."

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