Cabo do Exército é investigado por suspeita de vender munições e granadas a facções em Salvador
14/9

Um cabo do Exército Brasileiro é investigado por suspeita de abastecer facções criminosas na Bahia com granadas e munições de fuzil. Deivison dos Santos Ferreira, lotado no 6º Batalhão de Polícia do Exército, em Salvador, teria negociado material de uso restrito com integrantes do tráfico de drogas, segundo uma investigação conduzida pela Polícia Civil e pelo Ministério Público da Bahia.
As suspeitas surgiram após a análise de celulares apreendidos em abril, durante uma operação em um imóvel utilizado para armazenar e preparar drogas no bairro de Itapuã. Em um dos aparelhos, pertencente a Gabriel Reis Oliveira, apontado como negociador de armas e drogas para facções, foram encontradas conversas atribuídas ao militar oferecendo munições, granadas e armamentos. Segundo os investigadores, apesar de utilizar apenas um emoji para se identificar nas mensagens, o cabo teria fornecido CPF e chave Pix para receber pagamentos, o que ajudou na identificação. A Polícia Civil estima que somente para o grupo investigado tenham sido negociadas cerca de mil munições de fuzil dos calibres 5.56 e 7.62, além de granadas. Também há registros de ofertas de pistolas e fuzis. Uma das principais suspeitas é de que parte das munições e granadas tenha sido desviada durante treinamentos militares. O material não utilizado deveria retornar ao paiol, mas os investigadores apuram se parte dele era retirada e se registros de estoque teriam sido alterados para esconder as diferenças. Mensagens também fazem referência a exercícios realizados em Paulo Afonso, no Norte da Bahia. Nesta semana, uma operação com cerca de 250 agentes resultou na prisão de 33 suspeitos ligados à organização investigada. Um dos mandados era contra Deivison, mas ele já estava preso preventivamente por determinação da Justiça Militar em outra investigação, relacionada ao desaparecimento de coletes balísticos. O Exército informou que o militar permanece custodiado em uma unidade militar à disposição da Justiça. A investigação continua para identificar a origem de todo o material negociado e verificar se outras pessoas participaram do suposto esquema. A Polícia Civil considera prematuro afirmar que outros militares estejam envolvidos. A defesa de Deivison afirma que ele nega todas as acusações e que os fatos serão esclarecidos durante o processo.Deixe um comentário:
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