Chocolate: vilão ou aliado?
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Com a chegada da Páscoa, o consumo de chocolate cresce significativamente em todo o Brasil, especialmente na Bahia, estado com forte tradição na produção de cacau. Apesar de ser um dos alimentos mais associados ao prazer, e de agradar pessoas de todas as idades, o chocolate também pode trazer benefícios e malefícios à saúde, a depender da moderação em seu consumo.
De acordo com diversos estudos científicos, o cacau, principal matéria-prima do chocolate, é rico em flavonoides, compostos antioxidantes que ajudam a combater os radicais livres e reduzir inflamações no organismo. Além disso, eles estão associados à melhora da saúde cardiovascular, podendo contribuir para a redução do risco de hipertensão e doenças cardíacas. Já o chocolate, por conter triptofano, estimula a produção de serotonina e dopamina, neurotransmissores ligados à sensação de bem-estar, impactos no humor e na redução de sintomas de ansiedade e estresse. Para a professora da Afya Salvador e nutricionista, Cecília Freitas da Silva Araújo, “O chocolate pode contribuir para o bem-estar ao estimular a liberação de serotonina e dopamina, mas seu efeito é leve e passageiro. O consumo inteligente envolve escolher versões com 70% de cacau ou mais, ingerir pequenas porções (20–30g), preferencialmente após as refeições, e evitar o uso como única resposta emocional. Inserido em uma alimentação equilibrada, o chocolate pode trazer prazer sem aumentar os riscos de obesidade e diabetes”. Segundo estudo publicado na revista Nature Scientific Reports, o consumo frequente do chocolate amargo reduz em cerca de 27% o risco de hipertensão. No entanto, especialistas alertam que, em excesso, o doce é altamente calórico e rico em açúcares e gorduras, podendo causar obesidade, diabetes e doenças cardiovasculares, especialmente aqueles ao leite e os ultraprocessados, que possuem menor concentração de cacau e maior teor de açúcar. Dra. Sofia Lafetá, professora da Afya Itabuna, especialista em nutrologia, alerta sobre os exageros no consumo do doce tradicional de Páscoa: “O grande problema não é o chocolate em si, mas a quantidade e a frequência com que ele é consumido. É muito comum as pessoas aumentarem bastante o consumo de açúcar e gordura nesses dias, e isso acaba sobrecarregando o organismo, especialmente em quem já tem alguma predisposição para alterações metabólicas”. Segundo a especialista, o consumo exagerado também pode levar a picos de glicose no sangue, seguidos de queda, o que gera mais fome ao longo do dia e até sensação de cansaço. Um ciclo que favorece ainda mais o excesso. Sofia ainda pontua outros sintomas e consequências: “Algumas pessoas podem apresentar refluxo, sensação de estufamento, dor abdominal e até alterações no funcionamento do intestino, como episódios de diarreia. Outro ponto importante são as cáries dentárias. O açúcar presente no chocolate serve de alimento para bactérias da boca, que produzem ácidos capazes de desgastar o esmalte dos dentes”, explica. A longo prazo, fica o alerta da médica: “O excesso de açúcar no corpo é convertido em gordura e pode se acumular no fígado de forma silenciosa, muitas vezes sem sintomas, mas que pode evoluir ao longo do tempo. É importante reforçar que não se trata de proibir o consumo, mas consumir com consciência”.Deixe um comentário:
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